Dias de tormento
Um investigador aposentado, obcecado pelo trabalho. Inconformado por não ter o que fazer, tudo estava muito calmo. A inércia se aprofundava de tal maneira que já não havia o que fazer. Ele morava só, gostava de ler, de cozinhar, de pintar, via filmes antigos, tomava seu café amargo observando as gotas de chuva em dias gélidos de fortes temporais. Já contava uns dez anos que havia se aposentado, aqui e ali tinha sempre havia algo para se fazer, mas nos últimos anos, a cidade adormecera.
Pablo, este era seu nome, andava pelas ruas estreitas enquanto havia neblina por entre as árvores, alamedas miúdas, folhas ao chão, um pequeno tormento devido ao excesso de paz. Seguia, tinha que seguir.
Eleonor havia se mudado para a cidade recentemente. Comprara um casarão antigo, que já estava vazio há muitos anos. A casa era velha, desbotada, sem vida, mobília antiga, rasgada. Eleonor cuidara de tudo e a casa ficara impecável e com uma vivacidade incrível. Depois de alguns meses algumas coisas estranhas começaram acontecer. Mensagens através de sonhos, fantasmas, alguém sem forma definida dizia que os antigos proprietários da casa ainda viviam nela e não conseguiam desapegar. Inicialmente Eleonor não deu importância, acreditava que tais sonhos não faziam sentido. Mas com o passar só tempo estes sonhos ficavam cada vez mais frequentes, então ela começou se preocupar, fora até uma igreja e conversou com o padre, pediu que ele fosse até sua casa para abençoar, o padre prontamente foi. Não percebera nada de oculto. Passados uns dias os sonhos cessaram, todavia cada vez que Eleonor olhava para o espelho, vinha um ser fantasmagórico, sem forma definida, o espelho ficava cinza, e a partir daquele momento as mensagens começaram a surgir por ali. Eram falas confusas. Eleonor começou a sentir muito medo. Logo já não conseguia mais dormir e contratara uma jovenzinha do campo para trabalhar em casa com ela. Nas primeiras noites sentiu alívio e paz. Mas depois de pouco tempo da chegada da jovem Irene, quem passou a ver o ser do espelho fora ela. Porém Irene era um tanto cética, ela até via, ouvia mas não acreditava muito. Até que certa noite o espírito saíra do espelho e se apossara de seu corpo miúdo e frágil, mas quando o dia clareava Irene já era ela mesma outra vez.
Um professor de matemática acabara de chegar de uma longa viagem, ele era o vizinho mais próximo de Eleonor, certa manhã ela estava molhando as plantas quando o avistou. Baixinho, meio calvo e óculos fundo de garrafa, Ernesto era seu nome, ele crescera por ali. Conversaram um pouco pela divisão do muro, mas o professor estava um tanto apressado e muito cansado da viagem. Então combinaram para um dia qualquer um café.
Naquela mesma noite caíra um toró de água. Parecia não findar mais tamanha era a chuva que caia. Um homem que andava pelo tempo ouviu um trovão. Então ele encontrou um gato, um pequenino felino e o encaminhou para sua casa. Depois encontrou uma mulher acompanhada de três crianças e perguntou se ela havia ouvido o trovão. Ela disse que não, então ele perguntou para as crianças, que também não ouviram. O homem seguiu, ele se chamava Adolfo. A chuva cessara. Ele já estava quase em casa, mas todo molhado pois caminhara pela tempestade em todo o tempo que em a chuva despencava do céu enegrecido e assustador. Ao chegar em casa teve um sonho, tinha caminhado pelas nuvens e tocou no trovão. Quando acordou fazia um calor escaldante, o sol brilhava lindamente.
Em uma sala de espera havia um homem, ele aguardava o atendimento e via o que os outros não enxergavam. Via Deus tocando as pessoas e as iluminando. Mas percebia que as demais pessoas na sala seguiam com fisionomia normal. Elas não viam nada e não sentiam o que ele presenciava.
Enquanto isso Eleonor conversava com o vizinho, e contara a ele sobre os eventos sobrenaturais, ele dissera que os antigos proprietários da casa eram muito apegados à ela. Faleceram e seguiam na casa, antes de Eleonor comprar a casa, outras pessoas haviam morado nela, não conseguiram ficar muito tempo tamanha energia ruim habitava aquele lar.
Irene parou de ter os pesadelos, o homem que vira o trovão passava por ali e fora visitar o professor, eram amigos desde a infância, comentara com ele e com Eleonor sobre o trovão e Eleonor sentira a energia daquela noite de tempestade. O homem ficou tranquilo, pensara que não estava louco.
O investigador soube destas histórias, trovão e fantasmas e procurou Eleonor e o homem do trovão misterioso e descobriu que eram energias que vibravam para pessoas com sensibilidade aguçada.
E por fim tudo foi resolvido.