A mulher esquecida
Desde jovem ela vivia só e isolada, fora uma criança diferente, reservada, quieta, poucos amigos. Mesmo em casa com a família ela não conversava muito, se diferenciava até mesmo dos irmãos que eram comunicativos e com uma vivacidade exorbitante. Quando adolescente, começara a trabalhar e com muito esforço interagia com os colegas. O trabalho exigia bastante, necessitava de diálogos constantes, ela viva...simplesmente vivia como conseguia, mais sobrevivia.
Já adulta fora morar sozinha em um pequeno apartamento na periferia, da mesma forma, pouco ou quase nenhum contato com os vizinhos. Seguia o curso natural da vida, fazendo o necessário. Gostava muito de assistir televisão, na verdade era sua única companhia, e ela realmente apreciava. Viajava por entre filmes e aquilo bastava, através deles saía de sua vida medíocre.
O estranho é que ela quando ficava em frente ao espelho sua imagem não refletia, nunca pôde saber como era, com o tempo isso se transformara em algo do cotidiano.
O tempo passou, ela envelheceu e tudo seguiu, ela já aposentada quase nunca saía de casa, seus familiares, muitos já mortos, e os vivos afastados, nunca a procuraram. Certa noite, em frente a TV como de costume, tomando um chá adormecerá para sempre. Nunca fora procurada. Morreu ali, só e feliz em sua solidão desejada.
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