segunda-feira, 2 de março de 2026

Mistérios

 Mistérios

Anastácia morava naquela casa há anos, mas de uns dias para cá têm ouvido ruídos estranhos vindos do velho assoalho de madeira. A casa era muito antiga, e com o passar do tempo aquilo começava a ranger, inicialmente parecia ser apenas o assoalho velho se manifestando, mas barulhos esquisitos começavam a surgir repentinamente. 

No quarto Anastácia ouvia uma espécie de arranhão nas paredes. Parecia gato afiando as unhas. Sempre que ela se acomodava para dormir os arranhões e o barulho do assoalho apareciam.

Ela começa a ter pesadelos, alertando-a de que havia um cadáver enterrado embaixo da casa. Não deu muita importância inicialmente, mas acabou retirando todas as tábuas e de fato encontrara lá uma pilha de ossos. Foi horripilante, ela juntou-os e os enterrou em um jardim no centro da cidade. Daquele dia em diante tudo cessou e a paz voltava a se fazer presente.

Do outro lado da cidade, Guilhermina guardava um retrato dela jovem, ela já contava 92 anos, aquele era a única fotografia que tinha. Ela o colocara na estante e todos os dias apreciava sua beleza, mas algo estranho começou acontecer, o retrato se movia, ela mudava de posição nas fotos, era como se alguém tivesse entrado na imagem e a alterava diariamente. Guilhermina começou a desconfiar que estava ficando doente da cabeça. Aquilo era realmente muito perturbador. Um dia sua fisionomia parecia cansada, no outro dia estava sorridente, depois estava melancólica. Cada dia uma expressão diferente e assustadora. Descobrira através de sonhos que aquilo não passava de fruto de sua imaginação.

Em meio a tantos acontecimentos estranhos com pessoas que vivam naquela pequena vila, uma jovem chamada Lucrécia se deparava com uma carta misteriosa deixada em sua caixa de correspondências. Parecia ter sido escrita por alguém do além. Era enigmática, misteriosa e confusa. A carta previa o seu futuro de modo amedrontador. Dizia que ela morreria dentro de um sonho afogada. Ela ficara completamente perturbada. As cartas continuavam a chegar, e a cada mensagem oculta dizia que Lucrécia morreria de maneiras diferentes. Então ela decidira nunca mais dormir. E desde então as cartas desapareceram e ela finalmente sentia paz na alma.

Em outra parte da cidade Joca morava sozinho e certo dia um visitante misterioso aparecera em sua porta vendendo bugigangas, Joca se recusou a comprar, fora categórico, porém o caixeiro viajante insistia, então fora convidado a entrar. Mas não se interessava por nada, até se deparar com a imagem de um mago feito de argila, decidiu que ficaria com ele. O vendedor fora embora e Joca cada vez mais se sentia obcecado pela pequena escultura de barro. Ela era enigmática a muito atrativa. Acontecimentos bizarros começaram a acontecer. As plantas murcharam, o cão de Joca fora embora, ele nunca mais recebeu nenhuma visita. O clima ficara pesado e o ar denso. Então Joca destruiu a escultura e a queimara. Repentinamente as plantas viveram, o cachorro retornou e as visitas começavam a aparecer novamente.

Nenhum comentário:

Postar um comentário