segunda-feira, 2 de março de 2026

Dias de tormento

 Dias de tormento 

Um investigador aposentado, obcecado pelo trabalho. Inconformado por não ter o que fazer, tudo estava muito calmo. A inércia se aprofundava de tal maneira que já não havia o que fazer. Ele morava só, gostava de ler, de cozinhar, de pintar, via filmes antigos, tomava seu café amargo observando as gotas de chuva em dias gélidos de fortes temporais. Já contava uns dez anos que havia se aposentado, aqui e ali tinha sempre havia algo para se fazer, mas nos últimos anos, a cidade adormecera. 

Pablo, este era seu nome, andava pelas ruas estreitas enquanto havia neblina por entre as árvores, alamedas miúdas, folhas ao chão, um pequeno tormento devido ao excesso de paz. Seguia, tinha que seguir.

Eleonor havia se mudado para a cidade recentemente. Comprara um casarão antigo, que já estava vazio há muitos anos. A casa era velha, desbotada, sem vida, mobília antiga, rasgada. Eleonor cuidara de tudo e a casa ficara impecável e com uma vivacidade incrível. Depois de alguns meses algumas coisas estranhas começaram acontecer. Mensagens através de sonhos, fantasmas, alguém sem forma definida dizia que os antigos proprietários da casa ainda viviam nela e não conseguiam desapegar. Inicialmente Eleonor não deu importância, acreditava que tais sonhos não faziam sentido. Mas com o passar só tempo estes sonhos ficavam cada vez mais frequentes, então ela começou se preocupar, fora até uma igreja e conversou com o padre, pediu que ele fosse até sua casa para abençoar, o padre prontamente foi. Não percebera nada de oculto. Passados uns dias os sonhos cessaram, todavia cada vez que Eleonor olhava para o espelho, vinha um ser fantasmagórico, sem forma definida, o espelho ficava cinza, e a partir daquele momento as mensagens começaram a surgir por ali. Eram falas confusas. Eleonor começou a sentir muito medo. Logo já não conseguia mais dormir e contratara uma jovenzinha do campo para trabalhar em casa com ela. Nas primeiras noites sentiu alívio e paz. Mas depois de pouco tempo da chegada da jovem Irene, quem passou a ver o ser do espelho fora ela. Porém Irene era um tanto cética, ela até via, ouvia mas não acreditava muito. Até que certa noite o espírito saíra do espelho e se apossara de seu corpo miúdo e frágil, mas quando o dia clareava Irene já era ela mesma outra vez. 

Um professor de matemática acabara de chegar de uma longa viagem, ele era o vizinho mais próximo de Eleonor, certa manhã ela estava molhando as plantas quando o avistou. Baixinho, meio calvo e óculos fundo de garrafa, Ernesto era seu nome, ele crescera por ali. Conversaram um pouco pela divisão do muro, mas o professor estava um tanto apressado e muito cansado da viagem. Então combinaram para um dia qualquer um café.

Naquela mesma noite caíra um toró de água. Parecia não findar mais tamanha era a chuva que caia. Um homem que andava pelo tempo ouviu um trovão. Então ele encontrou um gato, um pequenino felino e o encaminhou para sua casa. Depois encontrou uma mulher acompanhada de três crianças e perguntou se ela havia ouvido o trovão. Ela disse que não, então ele perguntou para as crianças, que também não ouviram. O homem seguiu, ele se chamava Adolfo. A chuva cessara. Ele já estava quase em casa, mas todo molhado pois caminhara pela tempestade em todo o tempo que em a chuva despencava do céu enegrecido e assustador. Ao chegar em casa teve um sonho, tinha caminhado pelas nuvens e tocou no trovão. Quando acordou fazia um calor escaldante, o sol brilhava lindamente.

Em uma sala de espera havia um homem, ele aguardava o atendimento e via o que os outros não enxergavam. Via Deus tocando as pessoas e as iluminando. Mas percebia que as demais pessoas na sala seguiam com fisionomia normal. Elas não viam nada e não sentiam o que ele presenciava.

Enquanto isso Eleonor conversava com o vizinho, e contara a ele sobre os eventos sobrenaturais, ele dissera que os antigos proprietários da casa eram muito apegados à ela. Faleceram e seguiam na casa, antes de Eleonor comprar a casa, outras pessoas haviam morado nela, não conseguiram ficar muito tempo tamanha energia ruim habitava aquele lar.

Irene parou de ter os pesadelos, o homem que vira o trovão passava por ali e  fora visitar o professor, eram amigos desde a infância, comentara com ele e com Eleonor sobre o trovão e Eleonor sentira a energia daquela noite de tempestade. O homem ficou tranquilo, pensara que não estava louco. 

O investigador soube destas histórias, trovão e fantasmas e procurou Eleonor e o homem do trovão misterioso e descobriu que eram energias que vibravam para pessoas com sensibilidade aguçada. 

E por fim tudo foi resolvido.

A mulher esquecida

 A mulher esquecida 

Desde jovem ela vivia só e isolada, fora uma criança diferente, reservada, quieta, poucos amigos. Mesmo em casa com a família ela não conversava muito, se diferenciava até mesmo dos irmãos que eram comunicativos e com uma vivacidade exorbitante. Quando adolescente, começara a trabalhar e com muito esforço interagia com os colegas. O trabalho exigia bastante, necessitava de diálogos constantes, ela viva...simplesmente vivia como conseguia, mais sobrevivia.

Já adulta fora morar sozinha em um pequeno apartamento na periferia, da mesma forma, pouco ou quase nenhum contato com os vizinhos. Seguia o curso natural da vida, fazendo o necessário. Gostava muito de assistir televisão, na verdade era sua única companhia, e ela realmente apreciava. Viajava por entre filmes e aquilo bastava, através deles saía de sua vida medíocre.

O estranho é que ela quando ficava em frente ao espelho sua imagem não refletia, nunca pôde saber como era, com o tempo isso se transformara em algo do cotidiano.

O tempo passou, ela envelheceu e tudo seguiu, ela já aposentada quase nunca saía de casa, seus familiares, muitos já mortos, e os vivos afastados, nunca a procuraram. Certa noite, em frente a TV como de costume, tomando um chá adormecerá para sempre. Nunca fora procurada. Morreu ali, só e feliz em sua solidão desejada.

Mistérios

 Mistérios

Anastácia morava naquela casa há anos, mas de uns dias para cá têm ouvido ruídos estranhos vindos do velho assoalho de madeira. A casa era muito antiga, e com o passar do tempo aquilo começava a ranger, inicialmente parecia ser apenas o assoalho velho se manifestando, mas barulhos esquisitos começavam a surgir repentinamente. 

No quarto Anastácia ouvia uma espécie de arranhão nas paredes. Parecia gato afiando as unhas. Sempre que ela se acomodava para dormir os arranhões e o barulho do assoalho apareciam.

Ela começa a ter pesadelos, alertando-a de que havia um cadáver enterrado embaixo da casa. Não deu muita importância inicialmente, mas acabou retirando todas as tábuas e de fato encontrara lá uma pilha de ossos. Foi horripilante, ela juntou-os e os enterrou em um jardim no centro da cidade. Daquele dia em diante tudo cessou e a paz voltava a se fazer presente.

Do outro lado da cidade, Guilhermina guardava um retrato dela jovem, ela já contava 92 anos, aquele era a única fotografia que tinha. Ela o colocara na estante e todos os dias apreciava sua beleza, mas algo estranho começou acontecer, o retrato se movia, ela mudava de posição nas fotos, era como se alguém tivesse entrado na imagem e a alterava diariamente. Guilhermina começou a desconfiar que estava ficando doente da cabeça. Aquilo era realmente muito perturbador. Um dia sua fisionomia parecia cansada, no outro dia estava sorridente, depois estava melancólica. Cada dia uma expressão diferente e assustadora. Descobrira através de sonhos que aquilo não passava de fruto de sua imaginação.

Em meio a tantos acontecimentos estranhos com pessoas que vivam naquela pequena vila, uma jovem chamada Lucrécia se deparava com uma carta misteriosa deixada em sua caixa de correspondências. Parecia ter sido escrita por alguém do além. Era enigmática, misteriosa e confusa. A carta previa o seu futuro de modo amedrontador. Dizia que ela morreria dentro de um sonho afogada. Ela ficara completamente perturbada. As cartas continuavam a chegar, e a cada mensagem oculta dizia que Lucrécia morreria de maneiras diferentes. Então ela decidira nunca mais dormir. E desde então as cartas desapareceram e ela finalmente sentia paz na alma.

Em outra parte da cidade Joca morava sozinho e certo dia um visitante misterioso aparecera em sua porta vendendo bugigangas, Joca se recusou a comprar, fora categórico, porém o caixeiro viajante insistia, então fora convidado a entrar. Mas não se interessava por nada, até se deparar com a imagem de um mago feito de argila, decidiu que ficaria com ele. O vendedor fora embora e Joca cada vez mais se sentia obcecado pela pequena escultura de barro. Ela era enigmática a muito atrativa. Acontecimentos bizarros começaram a acontecer. As plantas murcharam, o cão de Joca fora embora, ele nunca mais recebeu nenhuma visita. O clima ficara pesado e o ar denso. Então Joca destruiu a escultura e a queimara. Repentinamente as plantas viveram, o cachorro retornou e as visitas começavam a aparecer novamente.